Como qualquer ser humano, tenho minhas preferências musicais e bandas que sou fã – características de um apaixonado por música. Pink Floyd sempre foi uma banda que eu gostei, mas não nunca flertei com o fanatismo. Gosto de muitas músicas da banda e em especial os álbuns “The Wall” e o clássico “The Dark side Moon” por ter em seu conteúdo letras referente a protesto, metais pesados e outras mais calmas e românticas com um toque do bom e velho rock.
Vindo da mesma escola de Beatles e Rolling Stones a banda inglesa foi uma das responsáveis pela transformação do rock e a primeira banda a usar sua música como forma de protesto e contar histórias próximas da grande massa. Acredito que seja esse o seu diferencial: fazer da música algo inovador e transformador.
O grupo nos meados dos anos 90 se separou em torno de processos e bastante polêmica, mas independente disso seu legado iria perdurar durante muito tempo. Roger Waters, o único integrante que continuou a carreira de maneira sólida é o maior militante e responsável por fazer com que isso aconteça.
No último domingo (01) tive a honra de presenciar a apresentação de The Wall – turnê apresentada em diversos países – do vovô do rock Roger Waters. É muito difícil descrever o que eu vi nas quase duas horas de show. Já tinha visto alguns clipes no youtube e confesso que fiquei impressionado, o que não imaginava é que aquele show seria o mesmo que viria a terras tupiniquins e quando cheguei ao Morumbi já percebi de cara que estava errado. The Wall seria apresentado da maneira que deveria ser apresentado e o melhor: na minha cara.
O show não pode ser chamado apenas de show, mas sim de espetáculo. Waters transforma o palco em algo surreal. De cara temos uma abertura de arrepiar com direito a muitos (digo muitos mesmo) fogos, efeitos sonoros que saiam de lugares estratégicos e um avião que sobrevoa a platéia e bate no muro deixando as mais de 70 mil pessoas aos berros e com certeza arrepiadas. As músicas cantadas em coro têm o auxilio de projeções espetaculares que fazem menção ao capitalismo, intolerância, guerras estúpidas, raças e até mesmo uma bela homenagem a Jean Charles – brasileiro morto por engano no metrô de Londres. Além do muro, há bonecos gigantescos e até o famoso porco está presente – este que tive a honra de passar a mão. É tudo tão perfeito que você tem a sensação de estar vendo a um filme em tempo real. Algo realmente indescritível.
O mais interessante é que a mega produção não apaga em nenhum momento suas músicas clássicas do emblemático álbum, fato que é corriqueiro em artistas pop do momento. Waters canta, pula, atira, interage com o telão e outras ações que me fez questionar o seus 68 anos de idade (provavelmente há um pacto from hell aí). Sua banda é dos sonhos, e Waters divide o palco com os seus companheiros sem medo e sem pudor, um show de humildade e reconhecimento aos seus companheiros de palco que metade do show ficam atrás do muro.
Com referencias ao filme “Pink Floyd: The Wall” – fica a dica – o muro tem desenhos animados, ele cai, se reergue, gira e o melhor não divide você de Waters, pelo contrário, um muro nunca aproximou tanto música, artista, platéia e arte. Isso graças a um espetáculo de bom gosto e emocionante que com certeza entrará na história.
Confira um pedaço do show e sente o drama:


