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Categoria ‘Criança’

Para cada neurônio um sonho

14 out

Segundo a Journal of Comparative Neurology (pesquisei no Google) existem em torno de 100 bilhões de neurônios dentro de uma cachola. Tirando alguns danificados e outros que simplesmente param de funcionar por vontade própria devem sobrar uns 87 bilhões. Entre vontades, desejos, necessidades e afins, muitos deles em mim são responsáveis por sonhos.

Não sei se é idade, idealismo, esquizofrenia ou os meus neurônios que não andam se bicando, mas muitas vezes tenho a sensação que cada um deles tem vida própria com vontades e sonhos diferentes. Quando era pequeno o meu maior sonho era ser um Power Ranger ou ser amigo dos Goonies, mas o máximo que cheguei foi ter um braço fraturado enquanto tentava salvar pintinhos indefesos das mãos da Rita Repulsa – uma vizinha mendiga – e ser amigo da Claudia Slot – uma moradora de rua que descobri há pouco tempo que na verdade era um homem vestido de mulher O.o

As crianças dos anos 90 tinham respostas padrões para a pergunta: O que você quer ser quando crescer? Era sempre o mesmo lenga-lenga de médico, bombeiro, astronauta, ator, modelo, cantor etc. E eu gostava de dar respostas bem peculiares como, por exemplo: detetive, escritor, aparecer na novela Vamp, ser rico, agente secreto e até mesmo apresentador do extinto programa Hugo. Muitas destas respostas eram para quebrar o clichê e não ser nenhum um pouco parecido com muitos que hoje cresceram e podem ser visto nas baladas com braços tatuados, camisetas brancas coladas, gel no cabelo e dançinha padrão (que se resume em mover o ombro e levemente os braços, um dia te ensino através de vídeo). Hoje, muito dos meus amiguinhos são pessoas normais, que trabalham, namoram ou viraram pegadores e se fingem de homens sérios, mas que na verdade estão doidos para serem convidados para jogar taco na rua.

Quando criança não é pecado ter para cada neurônio um sonho, é dado como bonitinho e acompanhado sempre com um comentário debochado daquela sua tia solteirona e descrente da vida. Mas quando crescemos? Somos loucos, instáveis, insatisfeitos e infelizes. E isso faz com que cada neurônio morra e que sejamos sugados para um buraco negro que quando chega ao fim é triste e escuro. Quantos sonhos deixamos morrer? Quantas vezes somos aquela tia debochada dando somente tapinhas nas costas dos outros? Quantas vezes deixamos de acreditar que o Zordon irá nos recrutar para salvar a Alameda dos Anjos?

Tenho um sonho que interliga todos os meus neurônios sonhadores. Sonho que os neurônios se renovem, que não morram, se multipliquem e sejam neurônios de outras pessoas. E se hoje, depois de tanto tempo eu ainda querer no fundo ser Power Ranger, apresentador do Hugo, detetive e etc?

#Filosofei na Pedra

 

Quando deixamos?

19 fev

Quando deixamos de lado nossos bonecos, nossos jogos e brincadeiras?
Quando percebemos que hoje será a última vez que escolheremos entre o soldado ou o ninja?
Quando percebemos que a realidade que vivíamos era uma fantasia e que atual realidade pode ser mais fantasiosa que a anterior?
Que agora sim podemos optar entre ser vilão ou herói, polícia ou bandido.
Que não somos detetives, guerreiros ou super-homens, mas que agora sim podemos escolher qual deles seremos.
Que nosso forte antes de plástico, agora é feito de tijolos.
Nossas mocinhas agora são de carne e osso.
Que morremos.
Que sangramos.
Que choramos.
Quando trocamos guerras de lama por batalhas de fogo?
Trocamos balas por pratas, chinelos por sapatos, regatas por gravatas?
Quando deixamos nossos brinquedos, nossos “pequenos amigos”, nossas bolinhas de gude, nossos monstros no fundo do armário, lá em uma ilha distante?
Quando deixamos a infância, esperando sempre continuar com a criança?

Fica a dica: