Segundo a Journal of Comparative Neurology (pesquisei no Google) existem em torno de 100 bilhões de neurônios dentro de uma cachola. Tirando alguns danificados e outros que simplesmente param de funcionar por vontade própria devem sobrar uns 87 bilhões. Entre vontades, desejos, necessidades e afins, muitos deles em mim são responsáveis por sonhos.
Não sei se é idade, idealismo, esquizofrenia ou os meus neurônios que não andam se bicando, mas muitas vezes tenho a sensação que cada um deles tem vida própria com vontades e sonhos diferentes. Quando era pequeno o meu maior sonho era ser um Power Ranger ou ser amigo dos Goonies, mas o máximo que cheguei foi ter um braço fraturado enquanto tentava salvar pintinhos indefesos das mãos da Rita Repulsa – uma vizinha mendiga – e ser amigo da Claudia Slot – uma moradora de rua que descobri há pouco tempo que na verdade era um homem vestido de mulher O.o
As crianças dos anos 90 tinham respostas padrões para a pergunta: O que você quer ser quando crescer? Era sempre o mesmo lenga-lenga de médico, bombeiro, astronauta, ator, modelo, cantor etc. E eu gostava de dar respostas bem peculiares como, por exemplo: detetive, escritor, aparecer na novela Vamp, ser rico, agente secreto e até mesmo apresentador do extinto programa Hugo. Muitas destas respostas eram para quebrar o clichê e não ser nenhum um pouco parecido com muitos que hoje cresceram e podem ser visto nas baladas com braços tatuados, camisetas brancas coladas, gel no cabelo e dançinha padrão (que se resume em mover o ombro e levemente os braços, um dia te ensino através de vídeo). Hoje, muito dos meus amiguinhos são pessoas normais, que trabalham, namoram ou viraram pegadores e se fingem de homens sérios, mas que na verdade estão doidos para serem convidados para jogar taco na rua.
Quando criança não é pecado ter para cada neurônio um sonho, é dado como bonitinho e acompanhado sempre com um comentário debochado daquela sua tia solteirona e descrente da vida. Mas quando crescemos? Somos loucos, instáveis, insatisfeitos e infelizes. E isso faz com que cada neurônio morra e que sejamos sugados para um buraco negro que quando chega ao fim é triste e escuro. Quantos sonhos deixamos morrer? Quantas vezes somos aquela tia debochada dando somente tapinhas nas costas dos outros? Quantas vezes deixamos de acreditar que o Zordon irá nos recrutar para salvar a Alameda dos Anjos?
Tenho um sonho que interliga todos os meus neurônios sonhadores. Sonho que os neurônios se renovem, que não morram, se multipliquem e sejam neurônios de outras pessoas. E se hoje, depois de tanto tempo eu ainda querer no fundo ser Power Ranger, apresentador do Hugo, detetive e etc?
#Filosofei na Pedra
